SETEMBRO AMARELO: FALAR SOBRE SUICÍDIO NÃO INCENTIVA. O SILÊNCIO PODE AFASTAR A AJUDA.
Durante muito tempo, falar sobre suicídio foi cercado de medo. Ainda existe a ideia de que perguntar a alguém sobre pensamentos suicidas pode “colocar isso na cabeça da pessoa” ou estimular uma tentativa.
Mas precisamos falar sobre isso com responsabilidade.
Perguntar não incentiva o suicídio. Falar pode abrir espaço para pedir ajuda.
A Organização Mundial da Saúde esclarece que conversar abertamente sobre suicídio pode permitir que uma pessoa encontre outras possibilidades diante de uma crise e tenha tempo para reconsiderar uma decisão. Perguntar diretamente a alguém se está pensando em suicídio também não significa induzi-la a fazê-lo.
O problema é que o silêncio, o preconceito e o medo de falar sobre saúde mental ainda fazem com que muitas pessoas atravessem momentos de intenso sofrimento sem procurar ajuda.
E os números mostram por que essa conversa é necessária.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Para cada morte, existem muitas outras tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio está entre as principais causas de morte no mundo – o que resulta em uma média de aproximadamente uma morte a cada 44 segundos.
Por trás desses números existem histórias, famílias, amigos e pessoas que, muitas vezes, estavam tentando suportar uma dor emocional que parecia não ter saída.
NEM SEMPRE QUEM PENSA EM SUICÍDIO QUER MORRER
Esse é um ponto que precisamos compreender.
Em uma crise suicida, pode existir uma profunda ambivalência entre viver e morrer. Muitas vezes, o desejo está relacionado à necessidade de interromper uma dor considerada insuportável.
Por isso, frases como:
Isso é falta de Deus.
Você tem tudo, por que está assim?
Pare de pensar besteira.
Tem gente passando por coisas muito piores.
Quem quer fazer não avisa.
Quando alguém consegue dizer “eu não estou bem”, precisamos aprender a escutar o que existe por trás dessa frase.
COMO INICIAR ESSA CONVERSA?
Não precisamos ter todas as respostas para acolher alguém.
Podemos começar dizendo:
Eu percebi que você não está bem. Quer conversar?
Tenho me preocupado com você.
Você tem pensado que não vale mais a pena viver?
Você tem pensado em se machucar ou tirar a própria vida?
Perguntar diretamente, de maneira acolhedora e sem julgamento, pode abrir uma porta que até então estava fechada.
E, quando houver risco, acolhimento não significa assumir sozinho a responsabilidade pela vida daquela pessoa. É necessário buscar ajuda profissional e construir uma rede de proteção.
Precisamos aprender a perguntar:
Como você está de verdade?
E, principalmente, estar preparados para permanecer e ouvir quando a resposta não for estou bem.
Falar sobre suicídio de maneira responsável não significa falar sobre morte.
Significa criar possibilidades de vida.
Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento ou apresentar pensamentos de suicídio, procure ajuda de profissionais e serviços de saúde. Em situação de risco imediato, busque atendimento de urgência.
Até a próxima …
Lucilene Nunes
Psicóloga Clínica/ Escritora/ Palestrante
Pós graduação – Terapia Cognitivo Comportamental – Neurociências e Comportamento pela PUC RS – Cursa Neuropsicologia – PUC Goiás