|

Delegacia não é lugar apenas para quem cometeu um crime

É comum associarmos a presença de um advogado criminalista na delegacia somente à defesa de quem está sendo investigado ou acusado de um crime. Mas essa ideia precisa ser superada.

Qualquer pessoa chamada a comparecer a uma delegacia — seja como vítima, testemunha, informante ou investigada — está participando de um ato que pode produzir consequências jurídicas.

Um depoimento aparentemente simples pode integrar um inquérito policial, ser confrontado com outras provas e declarações e, posteriormente, até mesmo ser utilizado em um processo criminal. Dependendo do que surgir durante a investigação, inclusive, a posição inicialmente ocupada por uma pessoa pode mudar.

Por isso, estar acompanhado de um advogado não significa que a pessoa tenha algo a esconder. Significa compreender a importância daquele ato e conhecer seus direitos antes de prestar qualquer declaração.

O advogado criminalista pode analisar previamente a situação, orientar sobre a finalidade da intimação, acompanhar o depoimento, intervir diante de eventuais irregularidades e, principalmente, evitar que a pessoa preste declarações sem compreender suas possíveis consequências.

Isso também vale para a vítima. Uma orientação jurídica adequada desde os primeiros momentos pode ser fundamental para a preservação de provas, correta apresentação dos fatos e adoção das medidas necessárias para a responsabilização do autor.

Na delegacia, uma palavra mal compreendida, uma informação imprecisa ou uma declaração prestada sem orientação pode assumir uma dimensão muito maior posteriormente.

A presença do advogado, portanto, não deve ser encarada como sinal de culpa ou desconfiança. É uma forma de proteção jurídica.

COLUNA ASSINADA PELA ADVOGADA DRA CAMILA COSTA

Similar Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *