Entre livros, leitores e redes: Felipe Tazzo leva produção independente à Feira de Taboão da Serra
Autor participa neste fim de semana da 4ª Feira de Quadrinhos & Afins, evento que reúne artistas, autores e fãs do universo das HQs e da cultura pop
A relação entre livros, leitores e os caminhos para fazer uma obra circular ganhou evidência nos últimos dias após a escritora Tamara Klink, autora de “Bom Dia, Inverno”, um dos livros mais lidos do país, apelar para que seus leitores deixassem de comprar a obra e, sempre que possível, fizessem os exemplares já existentes circularem.
A declaração rapidamente repercutiu e acabou levantando uma discussão mais ampla sobre a relação entre leitura, vendas, circulação de exemplares e sustentabilidade do mercado editorial. Posteriormente, Klink se retratou e reconheceu que não havia considerado outros pontos de vista antes de fazer o apelo, destacando os diferentes elos da cadeia do livro, como autores, editoras, livrarias, sebos, bibliotecas e as próprias vendas.
O episódio chama atenção para uma questão que também faz parte da realidade de quem produz de maneira independente: como fazer uma obra chegar ao leitor?
É justamente nesse cenário que o escritor Felipe Tazzo participa, neste sábado e domingo (15 e 16 de agosto), da 4ª Feira de Quadrinhos & Afins, em Taboão da Serra. O evento reúne autores, ilustradores, artistas independentes e fãs de quadrinhos, literatura e cultura pop.
Para o escritor, a participação em feiras representa uma oportunidade importante para que autores independentes apresentem seus trabalhos, conquistem novos leitores e estabeleçam uma relação mais próxima com o público.
Uma das estratégias de Tazzo para atrair leitores são as amostras gratuitas de suas obras, onde os leitores podem degustar um trecho do livro, assim como já é comum nos livros digitais. No evento, ele vai distribuir amostras das obras “O Botão Vermelho” e “Cassangel Seguros”.
“Essas amostras são uma oportunidade para o leitor conhecer e degustar aquela literatura, despertando o interesse e atraindo novos leitores”, afirma Tazzo.
A estratégia põe em evidência uma característica do mercado independente: antes de conquistar uma venda, muitas vezes é preciso conquistar a atenção e a curiosidade do leitor. Nesse processo, a circulação física de exemplares, a participação em eventos e a presença nas plataformas digitais se complementam.
Mais que autores
A dificuldade de fazer uma obra chegar ao público não termina quando o livro ou quadrinho é concluído. Para Tazzo, o autor independente precisa desempenhar atualmente uma série de funções que vão além da escrita.
“Hoje, escrever um bom livro muitas vezes não é suficiente. O autor independente precisa produzir conteúdo, aparecer nas redes, entender de algoritmo e manter uma presença constante online. Em muitos casos, o escritor acaba se tornando uma espécie de influenciador digital para conseguir alcançar leitores”, observa.
A fala ajuda a contextualizar o debate provocado por Tamara Klink. Embora a declaração da escritora tenha partido de uma situação específica, a repercussão trouxe à tona uma questão recorrente no setor: o que faz um livro circular em uma época em que a atenção do público é disputada por inúmeras plataformas e conteúdos?
Para grandes autores e editoras, a distribuição pode contar com estruturas consolidadas de marketing, imprensa e presença em livrarias. Para quem está fora desse circuito, entretanto, eventos presenciais, redes sociais, recomendações e o contato direto com leitores podem ser decisivos.
É neste cenário que a feira de Taboão da Serra se apresenta como uma oportunidade para o mercado editorial independente. Lá, o leitor encontra o autor, conhece a obra, conversa sobre o processo criativo e pode descobrir uma produção que dificilmente encontraria pelos canais tradicionais.
Serviço
4ª Feira de Quadrinhos & Afins
15 e 16 de agosto, a partir das 10h
Rua Pedro Mari, 80 – Parque Assunção