SETEMBRO AMARELO: QUANDO A DEPRESSÃO MUDA A ROTINA DE UMA PESSOA
Ela precisa reagir.
Ele não tem motivo para estar assim.
É só levantar e fazer.
Todo mundo tem problemas.
Para quem está de fora, pode ser difícil compreender por que uma pessoa com depressão não consegue simplesmente retomar sua rotina.
Mas existe uma diferença importante entre não querer fazer e não conseguir funcionar como antes.
A depressão é uma condição de saúde mental que pode afetar profundamente o humor, o pensamento, a motivação, o sono, o apetite, a concentração, a energia e a capacidade de sentir prazer.
Ela envolve uma interação complexa entre fatores psicológicos, sociais e biológicos. No cérebro, podem ocorrer alterações em circuitos relacionados ao estresse, à motivação, ao prazer e à regulação emocional, com participação de sistemas de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina.
Isso ajuda a compreender por que tarefas aparentemente simples podem se tornar extremamente difíceis.
COMO A DEPRESSÃO PODE APARECER NA ROTINA?
Uma pessoa que está vivendo um episódio depressivo pode começar a apresentar mudanças importantes em relação à maneira como funcionava anteriormente.
Ela pode:
- acordar cansada mesmo depois de dormir;
- ter dificuldade para sair da cama ou iniciar tarefas;
- perder o interesse por coisas que antes lhe davam prazer;
- afastar-se de amigos e familiares;
- deixar de responder mensagens ou evitar encontros;
- apresentar alterações importantes no sono ou no apetite;
- ter dificuldade para trabalhar, estudar ou cuidar da casa;
- perder a capacidade de concentração e ter dificuldade para tomar decisões;
- apresentar lentidão ou, em alguns casos, maior agitação;
- demonstrar irritabilidade, tristeza ou choro frequente;
- sentir culpa excessiva, inutilidade ou desesperança;
- dizer que nada mais faz sentido ou que não consegue imaginar um futuro melhor.
Nem todas as pessoas apresentarão todos esses sinais, e um sintoma isolado não significa necessariamente depressão. Para caracterizar um episódio depressivo, profissionais avaliam um conjunto de sintomas, sua intensidade, duração e, principalmente, o prejuízo causado à vida da pessoa.
MAS ELA CONSEGUE TRABALHAR E ATÉ SORRIR…
Isso também precisa ser compreendido.
Depressão não tem uma única aparência.
Algumas pessoas conseguem trabalhar, conversar, cuidar dos filhos e até sorrir enquanto enfrentam um sofrimento emocional intenso. O fato de alguém conseguir cumprir determinadas responsabilidades não significa que esteja bem.
Da mesma forma, quando uma pessoa começa a deixar a casa desorganizada, faltar a compromissos, abandonar o autocuidado ou passar grande parte do tempo deitada, isso não deve ser automaticamente interpretado como preguiça ou falta de interesse.
Pode existir sofrimento e comprometimento do funcionamento diário por trás desse comportamento.
PARA QUEM CONVIVE COM ALGUÉM COM DEPRESSÃO
Talvez você não consiga sentir exatamente o que aquela pessoa está sentindo.
Mas pode escolher não aumentar o peso que ela já carrega.
Em vez de:
Você precisa reagir.
Experimente:
Percebi que você não está conseguindo fazer as coisas como antes. Como posso ajudar?
Em vez de:
Você tem tudo e mesmo assim está triste.
Experimente:
Eu talvez não consiga compreender completamente o que você está sentindo, mas quero ouvir você.
Acolher não significa fazer tudo pela pessoa nem assumir sozinho a responsabilidade por sua recuperação. Significa não reduzir uma condição de saúde a preguiça, fraqueza ou falta de vontade e ajudá-la a procurar acompanhamento profissional.
Neste Setembro Amarelo, talvez uma das mudanças mais importantes seja esta:
Antes de julgar o comportamento de alguém, tente compreender o sofrimento que pode existir por trás dele.
DEPRESSÃO NÃO É SIMPLESMENTE ESTAR TRISTE.
Às vezes, é querer viver a própria rotina e perceber que aquilo que antes parecia simples se tornou difícil demais.
E quando alguém começa a demonstrar desesperança intensa, falar sobre morte, desejar desaparecer ou dizer que a vida não vale mais a pena, essas falas devem ser levadas a sério e precisam de atenção e ajuda profissional.
Compreender também é acolher.
Acolher também é prevenir.
Até a próxima….
Lucilene Nunes
Psicóloga Clínica
Pós graduada em Terapia Cognitivo Comportamental/ Neurociências e Comportamentos na PUC RS – Cursando pós graduação – Neuropsicologia – ABADU /PUC Goiás