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QUANDO O SILÊNCIO VIRA PUNIÇÃO NO RELACIONAMENTO?

Nem todo silêncio dentro de um relacionamento é ruim. Depois de uma discussão, algumas pessoas precisam de alguns minutos ou horas para organizar os pensamentos, diminuir a intensidade das emoções e conseguir conversar de maneira mais tranquila.

O problema começa quando o silêncio deixa de ser uma pausa e passa a ser uma forma de punir, controlar, provocar insegurança ou evitar sistematicamente o diálogo.

É importante observar não apenas o fato de alguém ficar em silêncio, mas a função que esse comportamento exerce na relação.

Às vezes, o casal vive isso há tanto tempo que nem percebe.

Depois de uma discussão, um deles para de falar. Passa pelo outro dentro de casa sem olhar. Responde apenas o necessário. Não pergunta como foi o dia. Não manda a mensagem que costumava mandar. Na hora de dormir, vira para o outro lado.

Quando é questionado:

— O que aconteceu?

A resposta é:

— Nada.

Mas o comportamento demonstra que existe alguma coisa acontecendo.

O outro começa, então, a tentar descobrir o que fez.

“Será que falei alguma coisa errada?”

“Será que ele está bravo comigo?”

“Será que ela não gosta mais de mim?”

“O que eu preciso fazer para voltarmos ao normal?”

E aqui pode começar um ciclo emocional bastante desgastante.

6 PERGUNTAS PARA OBSERVAR O SEU RELACIONAMENTO

  1. Depois de uma discussão, vocês conseguem conversar sobre o que aconteceu?
  2. Quando seu parceiro fica em silêncio, você sente que precisa adivinhar o que fez de errado?
  3. Você já pediu desculpas apenas para que ele ou ela voltasse a falar com você?
  4. Você evita discordar porque teme o afastamento ou a frieza que podem acontecer depois?
  5. O carinho e a atenção costumam desaparecer quando você coloca um limite ou diz “não”?
  6. Depois que vocês voltam a se falar, o problema é realmente resolvido ou simplesmente fingem que nada aconteceu?

Essas perguntas não servem para diagnosticar uma relação a partir de um episódio isolado. Elas ajudam a observar frequência, contexto, intenção, impacto e repetição.

O SILÊNCIO TAMBÉM COMUNICA

Um relacionamento saudável não exige que duas pessoas concordem o tempo inteiro.

É possível ficar bravo.

É possível precisar de espaço.

É possível dizer:

“Agora eu não consigo conversar.”

Mas também é necessário construir um caminho de volta para o diálogo.

Porque quando o silêncio é repetidamente utilizado para fazer o outro sofrer, ceder, sentir culpa ou correr atrás, já não estamos falando apenas de alguém que prefere ficar quieto.

Estamos falando de uma dinâmica relacional que precisa ser observada.

Talvez uma das perguntas mais importantes dentro de uma relação seja:

Quando existe um problema entre nós, conseguimos conversar sobre ele ou alguém precisa sofrer em silêncio até que tudo pareça normal novamente?

Relacionamentos não precisam ser lugares sem conflitos.

Precisam ser lugares onde os conflitos possam ser falados, compreendidos e enfrentados sem que o afeto seja utilizado como punição.

Lucilene Nunes

Psicóloga Clínica, Escritora e Palestrante

Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e Neurociências e Comportamento pela PUC RS – cursa neuropsicologia na PUC GOIÁS

Até a próxima….

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