Projeto “Plantando Jardim Filtrante e Água Boa” incentiva a despoluição dos rios em comunidades
Em fase inicial, o programa passa por conscientização em escolas e unidades de Saúde
(Foto: Divulgação)

O bairro do Caputera, localizado entre os municípios Embu das Artes, Cotia e Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, recebe neste mês de outubro o projeto “Plantando Jardim Filtrante e Água Boa”, realizado pela Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE) para empoderar a comunidade local sobre como tratar corretamente o esgoto, mesmo na ausência dos serviços de coleta do governo.

O evento, que teve início no dia 16, vai até o próximo dia 24 e, nesta primeira fase, participam cerca de 350 alunos e professores, do sexto ao nono ano, da Escola Municipal do Caputera.

O público é introduzido ao tema com uma apresentação sobre os rios e nascentes da comunidade, causas de poluição, consequências para a saúde e soluções possíveis.

Em seguida, é conduzido à atividade cooperativa “Jogo das Calhas, Caminho das Águas”, onde aprendem brincando a diferenciar a água cinza (pias e chuveiro), preta (vaso sanitário) e pluvial (chuva), suas corretas destinações, bem como a importância de a comunidade atuar unida para alcançar o objetivo de despoluir seus rios e córregos. No encerramento, ocorre uma discussão e reflexão sobre o tema aplicado à realidade da comunidade.

O “Jogo das Calhas, Caminho das Águas”, consiste em conduzir bolinhas de cores cinza, preta e azul (que representam as diferentes águas) por calhas, até caixas que são maquetes de fossa ecológica, cisterna e natureza.

Para o diretor Odércio José, a ação na escola é positiva para toda a comunidade: “o projeto foi acolhido prontamente pela gestão e professores, tendo em vista a preocupação com a melhoria da qualidade de vida e a preservação dos meios. Os alunos envolveram-se no desenvolvimento do tema assim como as atividades. Seguramente estamos no caminho certo, debater com os jovens e conscientizar a comunidade no engajamento nessa batalha de cuidar do meio ambiente”, comenta.

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Etapas e propostas do projeto

“Plantando Jardim Filtrante e Água Boa” nasceu com a missão de difundir técnicas de saneamento ecológico unifamiliar gratuitamente.

Para cumprir esse objetivo, pretende: conscientizar a população por intermédio das escolas, unidades de saúde e assistências sociais; instalar o tratamento de esgoto por jardins filtrante em três residências, para servir de modelos para a comunidade; realizar três cursos práticos para a capacitação e formação de 60 instaladores de saneamento ecológico; e publicar cartilha com instruções para que qualquer pessoa interessada possa fazer a instalação em casa.

O bairro Caputera foi um dos escolhidos por não ter serviço de coleta e tratamento de esgoto e por fazer parte da Bacia da Guarapiranga. Na região, o Ribeirão da Ressaca é um importante rio que deságua no Embu-Mirim. Este, por sua vez, fornece 33% de toda a água da Represa Guarapiranga, que abastece cerca de cinco milhões de pessoas da Região Metropolitana de São Paulo.

O tratamento por jardins filtrantes (também chamados de Zona de Raízes ou Wetlands) propõe a utilização de uma fossa séptica, onde bactérias se alimentam dos resíduos sólidos; e dois tanques com brita, semelhantes a um filtro com plantas (no caso macrófitas) que possuem raízes com alto poder de remoção das impurezas restantes. Enquanto a planta realiza sua função, ela se alimenta e se fortalece contra doenças e pragas. O resultado é um jardim bonito, sem odor ou insetos, e um efluente limpo que volta para a natureza sem poluir.

Sua arquitetura é uma importante modalidade de “Solução baseada na Natureza” (SbN), que são instalações que reproduzem o comportamento inteligente do ambiente natural para resolver determinadas questões urbanas, sem impactos negativos. É de baixo custo, tem padrão de eficiência aceito pela legislação e pode atender as pessoas da comunidade.

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O projeto é realizado pela SEAE e conta com recursos do programa Casa Cidades, do Fundo Socioambiental Casa.

Sobre a SEAE

Criada por moradores na metade da década de 70, a SEAE atua na preservação ambiental de Embu e região para estimular e ampliar os processos de transformação socioambiental, cultural e econômica, por meio de processos educacionais participativos e inclusivos, fomentando a atuação em políticas públicas, visando a conservação, recuperação e defesa do meio ambiente.

Crédito: SEAE
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